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From Cristiano da Cunha Duarte
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Pico da Bandeira (2890 metros)
No ano de 1995, eu, meu irmão Alysson e meu primo Cláudio decidimos acampar e subir o pico da bandeira. Pegamos a Caravan do meu pai e fomos até a cidade de Alto Caparaó, porta de entrada para o Parque Nacional do Caparaó. Chegando ao parque, pagamos nossa estadia por 3 noites na área de camping da Tronqueira.

A Tronqueira fica a 1.970 metros de altitude, e possui uma vista deslumbrante. Não possuía água aquecida e tomávamos banho na Cachoeira Bonita, aproveitando o sol(a água aquecida por energia solar foi colocada a pouco tempo). Tínhamos que tomar muito cuidado com as barracas e mantê-las sempre fechadas por causa dos quatis. Eles são muito espertos e roubam toda a comida que puderem levar. Vimos dois quatis levando uma penca de bananas e uma lata de conserva para a mata.

Acordamos no sábado, após uma noite bem fria(10º), com as nuvens no acampamento, isso mesmo, não estavam nem abaixo nem acima, e sim dentro do acampamento! Como o dia estava muito claro e quente, decidimos passar o dia na Cachoeira Bonita. Levamos o material de rapel e ancoramos a corda em uma grande rocha acima da caichoeira. Infelizmente, a nossa corda só possuía 50 metros e, como a cachoeira tem 80 metros, tínhamos que parar em algum ponto no meio dela. Depois do rapel e de um banho energizante na cachoeira, fomos para a área de acampamento descansar e preparar para a subida eté o Pico da Bandeira.
Começamos a subida por volta das 22:00, equipados com mochilas, lanternas, isolantes térmicos, sacos de dormir, cobertores e roupas grossas, prontos para percorrer os 4,5 km até o Terreirão. Tudo ia muito bem até sairmos da trilha por volta das 23:00. Tentamos encontrar a trilha várias vezes e não conseguimos. Como estava muito escuro, resolvi que deveríamos seguir até o rio e poderíamos subir à margem dele já que ele passava pelo Terreirão. Quando chegamos à margem do rio, avistamos a trilha logo acima e conseguimos voltar a ela. Subimos pela trilha até o Terreirão, onde chegamos depois da meia-noite.
O Terreirão fica a 2370 metros de altitude, é uma pequena planície situada no meio de várias montanhas e é nele que se encontra a famosa "Casa de Pedra", onde descansamos. Essa "Casa de Pedra" é bem rudimentar, o piso é de terra batida e o cheiro de fumaça de madeira queimada deixa qualquer alérgico louco! Pouco depois que fizemos essa parada, começamos a sentir o frio. As costas começam a doer e o suor acumulado pela caminhada começa a ficar gelado. O frio próximo a 0º e as paredes de pedra não ajudavam, por isso, utilizamos os isolantes térmicos para nos recostar nas paredes. Encontramos um grupo que estava aguardando, também, o momento certo de subir até o pico.
Nos juntamos a esse grupo e começamos a subir para o pico por volta das 2:00. A caminhada ficou mais íngreme e forçada mas o céu totalmente estrelado nos motivava a continuar. Chegamos ao pico da bandeira por volta das 4:30 da manhã. Como ainda era muito cedo, deitamos cada um em um saco de dormir para suportar o frio e ventos cortantes de -5º. Nunca havia visto tantas estrelas no céu... até as menores estrelas eram visíveis! Praticamente não existia aquele espaço negro que estamos acostumados a ver das cidades. Tudo era preenchido por estrelas ínfimas...
De repente, o céu começou a mudar levemente de tom, era o anúncio do alvorecer...
Ficamos todos a postos para vermos os primeiros raios de sol e o momento em que o grande astro apareceria no horizonte. Foi um espetáculo comemorado por todos!
É incrível ver a altitude em que nos encontrávamos, as nuvens muito abaixo de nós e as outras montanhas pareciam pequenas ondulações. Quando o sol saiu da linha do horizonte e o dia clareou, pudemos ver o Pico do Cristal e a trilha por onde havíamos chegado.
Ficamos até as 09:00 e então resolvemos descer para a Tronqueira.
Tirei duas fotos para mostrar a magnitude do Pico da Bandeira e como é a trilha após o Terreirão. A descida para a Tronqueira é bem mais tranqüila, pois com a claridade do dia, podemos descer mais rápido e com mais segurança. Cada momento da descida é único pois podemos perceber a grandiosidade do lugar e a beleza natural das formações rochosas, da vegetação e do Rio Caparaó.

Pico da Bandeira II

Quando as nuvens começaram a baixar, as montanhas se revelaram e, pelo menos nesse momento, pude relembrar a beleza inesquecível do Pico da Bandeira!
Links interessantes
Serra do Curral: uma aventura meio inconseqüente
No ano de 1994, fiz o Estágio Básico de Escalador Militar(agora Estágio de Combatente de Montanha) pelo 12º BI na Serra da Piedade. No mesmo ano, fiz um curso de Escalada Desportiva e, juntamente com meu irmão Leandro e meus primos Cláudio e Fernando, decidimos "escalar" a Serra do Curral. Ainda não fazíamos idéia do que encontraríamos pela frente...
Acordamos bem cedo e estávamos ao pé da serra, por volta de 8 horas da manhã, com cordas, boldriers, mosquetões, solteiras, etc. Nessas fotos ainda estávamos limpos e hidratados...
O início da subida é bem sujo, com vegetação densa, muita humidade e teias de aranha. Felizmente apenas por uns 100 metros.
A subida a partir desse ponto fica mais difícil e a vegetação ressecada atrapalha bastante. O sol das 10:00 começa a nos incomodar e bebemos vários Gatorades para driblar o calor do sol sobre as pedras de minério de ferro. Foi nesse momento que tirei a foto acima à esquerda.

Por volta das 13:00 paramos e comemos algumas batatas fritas e bebemos mais água e Gatorade, que já estavam no final. Nesse momento começamos a sentir muito frio já que o terreno era húmido e como o sol já havia alcançado o outro lado da serra, estávamos na sombra. Nessa parada estratégica, tirei as minhas melhores fotografias da praça do Papa e da cidade de Belo Horizonte...
Essa foto também foi tirada na "parada estratégica", onde vimos um helicóptero saindo do "Palácio das Mangabeiras", residência oficial do Governador do Estado de Minas Gerais.

Como já foi veiculado inúmeras vezes na televisão, a Serra do Curral sofre com incêndios repetidamente. Esses incêndios destroem, além da vegetação, as pedras e rochas que passam a ficar quebradiças. E por isso, a partir desse ponto, era muito difícil continuar, a subida era muito íngreme e cheia de pedras quebradiças.
Um cansaço e uma sensação de desespero começou a tomar conta de todos. Eu e meu primo Cláudio percebemos que se não fizéssemos alguma coisa logo, poderia ser tarde demais e talvez terminassémos como muitas outras equipes que tantaram subir a Serra do Curral: no helicóptero do Corpo de Bombeiros. Alguns motoristas e cobradores, da linha de ônibus que tem o ponto final ao pé da serra, gritavam para que voltássemos. Mal sabiam eles que quando olhávamos para baixo e víamos por onde tínhamos subido, tudo indicava que só havia um caminho a seguir: para cima!
Resolvi subir e encontrar um local seguro para ancorar a corda e, assim, todos poderiam subir em segurança. O problema é que devido às queimadas, não havia árvore forte o suficiente para suportar o peso de um adulto. Continuei subindo, passando por beiradas de abismos, segurando em pedras que se esfarelavam, ou seja, fazendo de tudo para tirar todos daquele lugar. Depois de quase duas horas, felizmente, consegui que todos subissem e passamos pela parte mais difícil da subida.
O caminho ainda era inclinado, mas bem menos do que antes, e cheio de terra e cascalho de minério de ferro. Finalmente, por volta das 16:00, alcançamos o topo da serra! Quase não acreditamos... estávamos desidratados, queimaduras solares e muito cansados. Tiramos algumas fotos para comemorar o feito que combinamos nunca mais repetir!
Finalmente chegamos à estrada que leva ao pé da serra.
Integrantes da equipe:
- Claúdio Marcius Cornélio (primo)
- Cristiano da Cunha Duarte (eu)
- Leandro Rodrigo Cunha Duarte (irmão)
- Fernando Jeferson Cornélio (primo)

